A Viagem de Navio - Família Mendola - Da Sicília para o Brasil! Embarque conosco nesta viagem...

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A Viagem de Navio

A Imigração

A Viagem de Navio


Depois de decidirem imigrar para o Brasil, quase sempre após terem sido persuadidos pelos agentes e subagentes de imigração, a próxima etapa era a viagem migratória. O primeiro desafio era chegar até o porto de embarque. No caso do norte da Itália, era o porto de Genova e no sul, o porto de Napoli. A ida até o porto, que às vezes era feita a pé, inclusive no inverno, envolvia aldeias inteiras. Antes de partir, vendiam os poucos bens que possuíam. Frequentemente chegavam ao porto vários dias antes do embarque, por má-fé dos agentes, mancomunados com taberneiros e estalajadeiros, que tratavam de abusar dos preços.

Uma vez embarcados no navio, os imigrantes tinham que enfrentar uma viagem naval terrível, com duração entre 21 a 30 dias, amontoados no navio como passageiros de terceira classe. Não eram raros os envenenamentos por comida estragada, mortes por epidemias e ondas de furtos. Em 1888, em dois navios que transportavam imigrantes para o Brasil, o Matteo Bruzzo e o Carlo Raggio, 52 pessoas morreram de fome e em 1899, no Frisca, 24 morreram por asfixia.

A primeira noite, no navio, não poderia ser diferente, pois, após algumas horas de navegação, os efeitos da maresia começavam a se pronunciar. O balanço do navio, apesar de estar ainda há poucas horas navegando, vai dando o resultado negativo para os marujos de primeira viagem.

Imigrantes na travessia do Oceano Atlântico

O conselho dado de que não devem pensar no balanço do navio, para evitar o enjôo, o deitar, faz com que os passageiros momentaneamente se acalmem. Porém, para a grande maioria não surtiu o efeito desejado, porque, após algumas horas nos beliches, quando o navio começa a navegar em águas, um pouco mais revoltas do Mediterrâneo, o casco dá sinais de terríveis oscilações, e começa a corrida aos banheiros, barulho característico do vômito, o estalar dos detritos no assoalho, daqueles que não conseguem deixar rapidamente o recinto do dormitório, faz com que aquela calmaria inicial transforme o dormitório em um campo de batalha. Tombos provocados por pisar em detritos, crianças e adultos de olhos arregalados gemem, regurgitam. Os adultos que não são atingidos com o enjôo tentam acalmar os ânimos com explicações nem sempre animadoras.

Com um número enorme de passageiros, as condições sanitárias dos vapores eram péssimas e as condições para que doenças contagiosas se espalhassem eram ideais. O que mais apavorava os imigrantes eram as condições de saúde: se a doença tomava alguns dos passageiros, era motivo de preocupações. Não havia médico a bordo; na maioria dos navios, era apenas a experiência em medicina do capitão e do imediato. O enjôo, distúrbios intestinais, gripes, pneumonias, surtos de piolho, cólera ou sarampo eram controlados precariamente, quando não se agravavam. O grande medo era a notícia de "peste a bordo". Muita gente não conseguia chegar ao destino final com vida, e como eles mesmos já ocupavam os porões dos vapores e para evitar que as doenças se alastrassem ainda mais, não era possível manter os corpos dos mortos até a chegada ao Brasil, para dar-lhes um velório digno como gostariam. Era feita uma cerimônia religiosa rápida e os corpos envolvidos em sacos de pano, feitos com roupas de cama, e lançados ao mar.

Relatos diversos, em livros dos mais variados, como: Assim Vivem os Italianos, Brava e Buona Gente, Cem Anos pelo o Brasil, A Catar Fortuna e outros, relatam que a viagem era muito penosa, mas se, por um lado, a nostalgia era grande, por outro, a vontade de vencer era maior. A trilogia da viagem era: tempestade, comida e saúde a bordo. Encontramos descrições de momentos de desconcentração em alto mar, quando navios, em rotas próximas, navegavam algumas horas juntos, era o vestígio de que não estavam sós naquela imensidão de água. A única escala técnica para os navios que partiam de G
enova direto ao Rio de Janeiro, às vezes, eram  as Ilhas Canárias, um arquipélago espanhol localizado no Oceano Atlântico.

Ao chegarem ao porto brasileiro, se encantavam com o verde intenso da natureza exuberante do país e estranhavam os homens e mulheres de pele escura que perambulavam pelo porto, os quais os italianos nunca tinham visto em seu país de origem. Encaminhados para as fazendas, muitos imigrantes tiveram que enfrentar uma vida de semiescravidão nas plantações de café, bem diferente dos relatos de paraíso vendido pelos agentes que os persuadiram a abandonar a Itália. Em consequência, um número elevado de imigrantes retornou para a Itália ou reemigrou para outros países. Entre 1882 e 1914, entraram no Estado de São Paulo 1.553.000 imigrantes e saíram 695.000, ou seja, 45% do total. Entre aqueles que voltaram para a Itália, ficaram na lembrança histórias trágicas que ainda hoje permanecem na memória dos filhos e netos desses imigrantes retornados. Mas também ficou na lembrança memórias positivas do Brasil, das plantações de café, das frutas tropicais que nunca mais iriam provar e, de certo modo, um agradecimento à terra que os havia permitido viver por algum tempo.

Com relação as famílias de nossos antepassados, as mesmas enfrentaram esta viagem em diferentes anos.
Os integrantes das famílias Ravagnani e Bariani viajaram no navio Poitou (1888), os integrantes das famílias Minatel e Arnosti no navio Regina (1889), o integrante da família Mendola no navio Rosario (1890), os integrantes das famílias Fernandez e Gordillo no navio Notre Dame de Salut (1896), os integrantes das famílias Della Colletta e Gava no navio Assiduità (1897) e os integrantes das famílias Cremon e Degliuomini no navio Cavour (1911).



Fonte: Texto base obtido junto aos sites https://pt.wikipedia.org e http://www.acatarbattistella.com.br

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